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  • Nova Ideia

A descida ao inferno

Nos mitos antigos é comum a descida de um herói ou deus ao submundo, ao Inferno (ainda que não propriamente no sentido bíblico). Inanna, da mitologia sumeriana, desce ao inferno para o funeral do marido de sua irmã Ereshkigal. A descida de Inanna ao Inferno de Ereshkigal é uma das mais belas passagens da literatura mitológica, marcante pela passagem da deusa pelos sete portais do Inferno, onde ela deve se despir de uma peça de roupa em cada portal. A “descida aos infernos” é repetida também na mitologia grega, principalmente no mito do Rapto de Perséfone. Hades, apaixonado pela moça, a sequestra e a obriga a conviver com ela como Rainha do Inferno. A descida ao Inferno também está representada nas artes contemporâneas, como nas HQ (História em Quadrinhos). Na aclamada série Sandman, de Neil Gaiman, no arco Estação das Brumas, Morfeus (Sandman, o senhor dos sonhos) está com um problema: nos arcos anteriores (Prelúdios e Noturnos), um sortilégio o aprisiona por 70 anos, e neste aprisionamento ele se vê despido de seus três objetos de poder: o saco de areia do sono, sua coroa e sua joia de poder. Quando ele se liberta, é necessário que recupere estes 3 objetos para manter o poder sobre o Sonhar. Ele descobre que a coroa está sob o poder de um dos demônios de Lúcifer e, então, decide descer ao Inferno para confrontar seu senhor. Na imagem, Lúcifer pergunta para Morfeus como ele pensa sair de lá. Então, Morfeus questiona“que poder teria o Inferno se os demônios não pudessem sonhar com o Paraíso?”, e a horda demoníaca se abre para sua passagem. A mesma obra possui uma passagem fantástica, em que Lúcifer diz para Morfeus que as pessoas o acusam de coisas que elas mesmas pensam e fazem, numa representação da Sombra através dos quadrinhos.




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